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LUISA LOPES

Acho que vão ficar cicatrizes, mas pelo menos ainda estou aqui, 2022

Linha de sutura e aquarela sobre saquinhos de chá
Dimensões variadas


 

Mesmo sem apresentar necessariamente a figura do corpo em si, a obra atua como uma extensão deste - a construção da imagem substitui a ausência de um corpo. É a memória da presença de um corpo, com toda a sua carnalidade, a marca de uma experiência vivida. Tendo como ponto de partida minha subjetividade enquanto artista, a obra gera percepções particulares para cada observador – mas é a pele e as cicatrizes que unem todas essas experiências. Está ligada à matéria suas camadas costuradas, que se fundem em um único organismo, gradualmente se deformando e se transformando ao mesmo tempo. Utilizando linha de sutura para unir os saquinhos de chá, é a união das camadas de epiderme após traumas, machucados e cortes, que criam cicatrizes, mas o corpo se mantém ali resistindo. Assume o tamanho de um tronco humano e por sua maleabilidade, pode ser torcida, dobrada, formando volumes, assumindo sua corporificação.


 

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